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Depois de Ver... Os Medos de Mudar

  • 5 de mai. de 2016
  • 3 min de leitura

Como é difícil voltar atrás em algo que se faz ou se diz. Admitir o erro, o equívoco, ou apenas mudar de opinião, torna-se, quase sempre, uma tarefa hercúlea. É como se a cada vez que se necessita dizer algo contrário a algo que foi dito anteriormente, uma entidade invisível e onisciente nos apontasse o dedo e dissesse: “Você errou e merece sofrer a eternidade por isso”.

O mais interessante é que o mesmo sentimento não ocorre quando simplesmente nos calamos e reprimimos a culpa ou a admissão da falha. O julgamento moral do outro é muito importante neste processo.


Desde muito cedo, normalmente se aprende que errar é algo intolerável, não aceito. Mesmo dependo do modelo de educação a qual se é submetido, no geral não sabemos lidar com nossas falhas. Apanhamos quando tiramos notas baixas, nos criticam quando falamos algo errado. Somos punidos o tempo inteiro por erros e falhas. Então, naturalmente se passa a não aceitar os próprios erros.


Pode-se dizer que uma palavra proferida jamais poderá voltar. Ela solta-se no tempo, no espaço e nas memórias. Quando falamos, perde-se o controle sobre o que foi dito. Assim, desdizer algo, nos soa uma agressão tão grande.


E é esse mesmo mecanismo interno que torna tão difícil a separação ou mesmo o rompimento ideológico com um grupo ou associação. Esta é a dificuldade de deixar de seguir um certo grupo, ou mesmo de falar mal de algo ao qual nos sentíamos ligados emocionalmente, mesmo que este alguém ou algo tenha mudado de postura ou adotado comportamento contrário à nossa filosofia de vida.


Talvez por isso a religião ainda seja tão presente no dia-a-dia das pessoas. Este apego a ideias, preceitos sob os quais somos criados são ainda mais difíceis de serem mudados ou mesmo abandonados. Mesmo a ciência tem a sua resistência ao mudar certos conceitos e correntes de pensamento, apesar de ser mais comum neste modelo de estudo a constante quebra de paradigmas. A atual conjuntura política e social sobre a qual vivemos no Brasil e até no mundo, tudo nos impele a cada dia mais a buscar posturas de ceticismo e tentar a cada dia se reinventar de todas as maneiras.


Considera-se estar mais seguro quando em terrenos conhecidos. E por terreno pode se ler, desde ambiente físico até no plano das ideias. Em um debate, por exemplo, ou quando em uma conversa sobre um tema do qual não se domina, há uma sensação constante de insegurança e em alguns casos até medo.


Tomada de decisões desde as mais simples são baseadas em conhecimentos passados, em arquivos mentais. Quando esses pensamentos são sedimentados e enraizados na mente, através de múltiplas experiências similares ou apenas pela repetição de um mesmo comportamento, torna-se muito mais difícil de modificar o padrão mental e desapegar desta informação. Desta forma o padrão evolutivo do humano é o de identificar o novo como arriscado. Como alerta para se pôr em fuga.


Herdamos de forma massiva comportamentos, atitudes e até a visão do mundo de nossos cuidadores, a sociedade em geral e pessoas próximas, sobretudo na infância. Então, refletir sobre estes padrões é mais que nossa obrigação na formação de um caráter pessoal diante do social. E muitas vezes, chegar e este nível de consciência de si próprio e do meio, exige de nós mesmo um esforço ainda que mínimo de mudança de quebra interna de paradigmas e preceitos.


Devemos tentar ao máximo não se chocar com o novo simplesmente por ser novo. Há de haver o mínimo de reflexão para tomarmos um parecer e uma opinião sobre o mundo que nos cerca.


Como já disse Caetano Veloso “...é que narciso acha feio o que não é espelho e a mente apavora o que ainda não é mesmo velho...“.

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